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Instrumentação Tecnológica Aplicada ao Design, Engenharia e Saúde foi tema da Aula Magna do Mestrado

Por Natalha Carvalho e Kymberlin Oliveira

Na última sexta-feira (12) o UNIFATEA recebeu o Prof. Dr. Eugenio Andrés Díaz Merino (UFSC) para a Aula Magna do Mestrado Profissional em Design, Tecnologia e Inovação (PPG-DTI), o qual ministrou uma palestra sobre Instrumentação Tecnológica Aplicada ao Design, Engenharia e Saúde, contando um pouco sobre sua experiência enquanto pesquisador na área de Tecnologia Assistiva e enfatizando alguns conceitos importantes sobre a área.

Formado em Desenho Industrial, atualmente o professor é Coordenador Adjunto da área de Arquitetura, Urbanismo e Design (CAPES) e membro da Rede de Pesquisa e Desenvolvimento em Tecnologia Assistiva (RPDTA CAPES), com um extenso currículo que envolve projetos nas áreas de Ergonomia, Design, Saúde e Usabilidade. Após o evento, o UNIFATEA teve a oportunidade de realizar uma entrevista com o Prof. Eugenio.

U – Nos dias de hoje, a aplicação do Design tem tomado novas formas e aplicações, muitas vezes fugindo um pouco dos seus princípios e valores originais. Partindo dessa premissa, como o senhor enxerga o Design atuando como solucionador de problemas na sociedade atual?

E.A. – Então, eu diria que o design ele não se distanciou de suas origens, muito pelo contrário, na minha opinião ele volta pra suas origens sendo que ela tem como objetivo atender as necessidades e expectativas das pessoas, dos seres humanos, dos usuários. Com o passar do tempo o que nós vemos são novas áreas da aplicação, e nesse caso que parecem ser novas, mas em princípio, na gênesis do próprio design seria focado no próprio ser humano. A inserção disso na realidade social, econômica e cultural das pessoas é evidente que do momento utilizam de produtos e de serviços e a partir deles melhora a qualidade de vida, melhora a performance organizacional. Então em si eu diria que o design, ele vem cada vez mais se posicionando como um elemento importante na sociedade e no desenvolvimento social e econômico, tendo em vista que sua gênesis, seu início está centrado nas pessoas.

U – A partir das suas experiências profissionais e acadêmicas em projetos, especialmente na área de tecnologia assistiva, qual o impacto do Design Universal? De que forma ele contribui atendendo aos mais diversos perfis de usuários?

E.A. – Então, a tecnologia assistiva é algo fundamental. São todos os recursos que nós dispomos para melhorarmos nossa performance, e vai desde um simples óculos com uma leve ou uma pequena deficiência visual até uma prótese que substitui completamente uma parte do corpo. Do ponto de vista do design, ele tem muito a contribuir a partir do momento que ele tem como foco as pessoas, o ser humano. Então todos os processos do desenvolvimento de projetos partindo das expectativas das necessidades, os anseios e considerando as capacidades, principalmente sensoriais, motoras e cognitivas dos usuários, vão fazer que produtos se tornam mais eficientes. E a questão de universalidade é fundamental, todos nós nascemos, crescemos, nos desenvolvendo, e envelhecemos e sofremos alterações ao longo de nossa vida, produtos e serviços que considerem todo esse percurso são muito vendidos e é isso que é essa tal de universalidade e a tentativa de nós olharmos pro ser humano em todas as suas fazes de vida com todas as suas características.

U – De acordo com a UNESCO, mais de 1 bilhão de pessoas no mundo vive com algum tipo de deficiência. No contexto mercadológico, como o senhor enxerga este problema sendo transformado em uma oportunidade para o Design se inserir?

E.A. – Não existem dúvidas, os números que você apresenta são realmente significativos, mas grande parcela da população mundial apresenta algum nível, algum gral de deficiência da mais simples a mais complexa obviamente. E o design tem muito a contribuir, os projetos que considerem as capacidades dessas pessoas em todos os sentidos sensoriais, cognitivas e motoras, e ele sejam transferidos para os produtos e serviços vão melhorar sem sobra de dúvidas uma melhor inserção do que nós chamamos hoje de uma maior inclusão tanto na sociedade, de ponto de vista profissional e do ponto de vista social e o design com seus métodos, com suas técnicas, com suas ferramentas auxilia de forma interdisciplinar e multidisciplinar com as outras áreas a um correto desenvolvimento de produtos e serviços.

U – O senhor possui graduação em Desenho Industrial e mestrado e doutorado em Engenharia de Produção. Em outros países é bastante comum o estabelecimento de uma ligação entre o Design e a Engenharia. De que forma, na sua opinião, ambas as áreas podem ser melhor conectadas nos contextos acadêmico e mercadológico?

E.A. – De fato, existe uma certa proximidade sim, principalmente na parte de produtos, a engenharia de materiais, por exemplo, que desenvolve e analisa os materiais e o design que desenvolve produtos então a junção dos dois é fundamental. O que acontece é que em alguns casos não há um diálogo muito claro, como são áreas diferentes as terminologias e os conhecimentos as técnicas as vezes se distanciam. Porém existe uma grande oportunidade de aproximar isso aí. Meu caso especifico, eu atuo na engenharia e no desenho industrial, e nessas duas áreas, e dou curso de pós-graduação em ambas as áreas, na engenharia especificamente na parte de agronomia, que cuida dos seres humanos, das pessoas inseridas em sistemas produtivos. E a junção dessas duas áreas tem resultado em trabalhos mais completos, mais confiável, mais precisos e certamente existe essa possibilidade, essa oportunidade de aproximar cada vez mais essas duas áreas. 

Foto: Willian Brazil

Mais fotos do evento, acesse: http://www.facebook.com/unifatea

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