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UNIFATEA assume a perspectiva curricular da inclusão e oferece Libras como unidade curricular – Entrevista com o profº Marco Aurélio Tupinambá

A Língua Brasileira de Sinais (Libras) é um sistema linguístico de natureza visual motora com estrutura gramatical própria, utilizada pelas comunidades surdas. A gesticulação está associada aos sinais que representa, contudo, vale ressaltar que a mímica não é universal, e a Libras, ao contrário do que muitos pensam, possui sinais distintos por país e região, da mesma forma que qualquer outra língua.

De acordo com o IBGE, o Brasil tem hoje cerca de 10 milhões de surdos. A surdez não significa incapacidade. Portanto, este público circula por todos os espaços, desde escolas e universidades a empresas e instituições públicas. Mas, para que essa inserção realmente aconteça, os surdos ainda dependem da intervenção de um profissional que vem sendo cada vez mais procurado em todo o país: o tradutor ou intérprete da LIBRAS.

Hoje a maior demanda por intérpretes ainda está nas escolas e universidades, mas o mercado para estes profissionais vem crescendo a cada dia. Além da inclusão escolar, há uma série de outras leis que buscam inserir o surdo na sociedade. Dependendo do porte, as empresas têm que destinar uma porcentagem das suas vagas a deficientes. Além disso, a transmissão de informações como em campanhas eleitorais, alguns tipos de propagandas e eventos precisam, obrigatoriamente, ser traduzidas para os surdos.

As instituições de ensino superior assumem a perspectiva curricular da inclusão oferecendo Libras como disciplina, evidenciando o reconhecimento dessa unidade curricular como fundamental, principalmente aos educadores, que atuarão com crianças e adolescentes surdos no ensino regular.

Para saber mais, entrevistamos o professor Mestre Marco Aurélio Tupinambá do curso Letras:

Como é realizado o ensino de Libras no UNIFATEA?

Atualmente o ensino de Libras faz parte de uma unidade curricular que está presente em todos os cursos de graduação. Dessa forma, todos os alunos, desde enfermagem até arquitetura têm contato com a Libras, de acordo com o decreto de 2005, nº 5.626. No UNIFATEA, o aluno pode ainda participar do Coral de Libras, projeto que faz traduções das músicas para a Língua de Sinais.

De que forma o aluno do UNIFATEA pode aproveitar melhor a Língua Brasileira de Sinais dentro e fora da sala de aula?

Como já destaquei,  em nossa instituição os alunos podem participar do Coral para se aperfeiçoar em Libras. Ensaiamos todas as terças-feiras, das 18h às 18h50 no Auditório Pasin. O Coral de Libras do Unifatea é aberto a toda a comunidade interna e externa à Instituição. Existem, ainda, projetos de extensão a caminho em que profissionais de diversas áreas poderão se aperfeiçoar.

Por que a unidade curricular Libras é importante para o aluno universitário?

A Língua Brasileira de Sinais é considerada a língua natural da comunidade surda, ou seja, ela é a língua pela qual os sujeitos  desenvolverão todos seus aspectos sócioemocionais e educacionais. Essa comunidade, por apresentar uma diferença linguística sofre muito preconceito e enfrentam diversas barreiras na sociedade. Ao disseminar a importância dessa língua, bem como seu aprendizado, estamos capacitando e estimulando os futuros profissionais a pensarem nesse público.

De que forma profissionais de Libras estão sendo inseridos no mercado de trabalho?

Desde o decreto de 2005, nº 5.626, o Tradutor/Interprete e o Instrutor de Libras foram instituídos como profissionais capacitados na educação da pessoa surda.

A regularização do intérprete de libras como profissão foi realizada em 2010. Você vê a partir desta regularização uma melhora significativa na inserção do profissional no mercado de trabalho?

Essa regularização se deu no âmbito de sua proficiência e de sua formação, pois esse profissional já foi reconhecido pelo decreto de 2005. Quanto a inserção do profissional a Lei é clara, todas as escolas ou estabelecimentos, em que se encontra o surdo, deverão disponibilizar um tradutor/intérprete. O grande problema é a escassez desse tipo de profissional, pois ainda há poucos Institutos de Ensino que apresentam o curso de Letras-Libras ou de Interpretação/Tradução de Libras.

Além do Coral quais outras ações o UNIFATEA realiza para a difusão do ensino de Libras para a sociedade?

Há as apresentações e eventos em que o Coral de Libras participa,  difundindo a LIBRAS para comunidade vale paraibana. Existem também eventos desenvolvidos por mim e pela Prof. Me. Rosana Montemor, como o Setembro Azul, realizado desde 2017, em comemoração ao dia internacional do surdo.

UNIFATEA, confiáveis como sempre, inovadores como nunca!

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