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O valor da Inteligência Emocional no trabalho e na vida

Por Claúdia Caltabiano

Doutora em Psicologia pela Universidade de Salamanca – Espanha. Pós-Graduada em Formação de Docentes para o Ensino Superior. Professora de Psicanálise na AMPC (Associação Mineira de Psicanálise Contemporânea). Palestrante sobre Saúde Mental.

Eu diria MÁXIMA! Não só porque vejo no dia-dia no consultório, mas porque acredito que somos seres psicossomáticos (do grego psykhé = psico -mente, e do soma = corpo), ou seja, somos uma unidade que funciona indissociavelmente, e a separamos apenas para a finalidade de estudo, por exemplo: a medicina estuda o corpo e a psicologia estuda a mente. Há também quem nos lembre que somos seres sociais, espirituais e influenciados pela cultura que nos circunda.

Houve-se um tempo, muito recente por sinal, em que falávamos do famoso QI (quoficiente de inteligência), onde era considerado um bom profissional, ou uma pessoa muito capaz, quem obtivesse um QI alto nos famosos testes de inteligência. As crianças ainda são avaliadas e julgadas pela sua capacidade de esperteza. Avaliamos e confundimos a saúde mental com a presença da inteligência lógico/matemática no indivíduo. Porém, desde meados dos anos 80, quando em 1983 Howard Gardner introduziu a teoria das Inteligências Múltiplas, onde descreve que apenas os indicadores do QI não seriam suficientes para delimitar a capacidade cognitiva como um todo, que conceitos como Inteligência Interpessoal e Inteligência Intrapessoal começaram a ganhar mais enfoque.

Aos poucos o termo Inteligência Emocional foi aparecendo em alguns autores e em 1995 Daniel Goleman despertou o interesse mundial com o livro “Inteligência Emocional”, enfatizando a necessidade de identificar os próprios sentimentos e a capacidade de lidar com eles. O problema é um pouco mais complexo quando analisamos a atual sociedade, em que não nos é ensinado a Educação Emocional. Não aprendemos nas escolas nada parecido com isso, e somos influenciados pelo ambiente no qual vivemos desde a mais tenra infância, afinal, sabemos que é a partir da maneira como trocamos experiências com as pessoas e com o mundo, que começamos aprender a SER.

Winnicott (1896 – 1971) foi um psicanalista e pediatra inglês que chamou a atenção para a importância do ambiente na formação da nossa personalidade. Também foi esse teórico que alertou para o fenômeno da dissociação do estado emocional com o estado mental. Para ele, existem diferentes esferas que fazem parte do nosso psiquismo, sendo a mente (a parte cognitiva) apenas um elemento deste funcionamento, a outra parte muito importante é a capacidade de nos conectarmos com o que nos rodeia (tempo – espaço – realidade externa – outro, etc…). Podem existir pessoas brilhantes, intelectualmente falando, experts em suas profissões, mas completamente fracassados na vida social e familiar.

Hoje entendemos que um bom profissional é aquele que sabe trabalhar em equipe, se comunicar bem, estar conectado com o ambiente que o rodeia além de ter habilidades sociais que facilitem o seu trabalho como um todo. A parte técnica (do conhecimento) é importante sim, mas sem as outras capacidades, o contato com a empresa e/ou colaboradores não flui, comprometendo o andamento do trabalho. Por exemplo, pode existir um excelente administrador de curriculum invejável, porém mau líder, que não consegue se comunicar bem com os outros gestores e membros de sua equipe.

Sabemos que no ambiente profissional devemos, além da capacidade técnica/cognitiva, apresentar diversas outras capacidades, tais como, comunicação, sensatez, simpatia, destreza social, conhecimento da empresa como um todo (e aqui podemos ressaltar a necessidade de se dar bem com outros setores da empresa que não apenas o seu). E todas essas características vão além da inteligência lógico/matemática.

Outro exemplo comum são acadêmicos brilhantes, com títulos e artigos importantes, mas que não são bons na oratória, ou seja, não são capazes de passar o seu conhecimento adiante, e consequentemente não seriam bons professores, pois não basta ter conhecimento, é necessário fazer a roda do saber girar, e isso implica em ser capaz de se conectar com os estudantes e fazer com que eles internalizem o conhecimento, senão o conhecimento fica apenas no professor e a roda não gira.

E  por falar em professores e educação, Edgar Morin, filósofo, sociólogo e antropólogo francês, esteve em 2010 para uma Conferência em Fortaleza – CE e escreveu o livro: “Os 7 saberes necessários para a educação do futuro”, onde ressalta a importância de educar as pessoas com um novo enfoque inter-poli-trans-disciplinar que seja capaz de religar todos os saberes. Em realidade a Educação Emocional passa também por essa grande revolução do conhecimento, onde nos deparamos com a necessidade de religar saberes e nos conectarmos de forma consciente e sadia com o FORA DE MIM a fim de reconhecermos em nós mesmos aspectos não percebidos e que tanto influenciam no nosso trabalho e na nossa vida.

Portanto, não basta ser apenas inteligente no seu campo do saber, é preciso saber conviver com os que nos rodeiam. E isso implica em saber comunicar-se, analisar o ambiente como um todo, desenvolver empatia, saber colocar-se, e inclusive o mais difícil hoje em dia: saber a hora de parar, respirar, se cuidar e cuidar dos que nos rodeiam.

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