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História e memória nos museus salesianos

Escrito por  Ana Cosenza e Camila Santos

Com dinamismo, interatividade e propostas inovadoras de gestão, três museus ressaltam diferentes aspectos da história dos salesianos e das salesianas no Brasil.

Parece coisa de museu! O sentido da frase é, em geral, pejorativo: “coisa de museu” é algo velho, estático, sem interesse ou função prática. Mas essa ideia está muito longe da realidade. O museu, hoje, é um lugar interessante, dinâmico e envolvente, repleto de objetos surpreendentes e onde se pode conhecer o passado para melhor compreender o presente. É o que se vê em três instituições ligadas à Rede Salesiana Brasil: o Museu do Índio, o Museu das Culturas Dom Bosco (MCDB) e o Museu da Obra Salesiana no Brasil (MOSB). Com dinamismo e propostas inovadoras de gestão e de comunicação, cada um ressalta, à sua maneira, os diferentes aspectos da história dos salesianos e das salesianas no Brasil.

Museu das Culturas Dom Bosco

“Existem museus para o objeto. Este é para o homem” é o slogan que abre o site do Museu das Culturas Dom Bosco, em Campo Grande, MS. Fundado oficialmente em 1951, o museu, ao longo de sua existência, formou um acervo que inclui milhares de peças. Mas, embora todas tenham sua importância, “o que merece destaque não é uma coleção em particular, e sim a proposta de um museu de gestão participativa, onde os indígenas estão envolvidos na concepção e na montagem das exposições”, afirma o coordenador do MCDB, Dirceu Mauricio van Lonkhuijzen.

O museu foi idealizado pela Missão Salesiana de Mato Grosso (MSMT) e, desde 1996, é gerido pela Universidade Católica Dom Bosco (UCDB). A partir de 2003, teve início um projeto de reestruturação e modernização do museu. Na coleção etnográfica, uma das preocupações foi criar uma exposição que respeitasse a esfera sagrada dos objetos e que apresentasse peças significativas para os povos ali representados. O envolvimento das comunidades indígenas foi fundamental para que se atingissem esses objetivos. “A coleção etnográfica é composta por aproximadamente 6.000 objetos de diferentes etnias, com destaque para os povos Bororo, Xavante e Karajá. É de valor científico, histórico e documental incomensurável”, ressalta Dirceu.

Outra coleção importante é a arqueológica: “São objetos representativos da cultura material, feitos de pedra ou barro queimado, verdadeiros testemunhos da pré-história brasileira”, explica ele. Há ainda as coleções paleontológica (de fósseis), entomológica (de insetos), de conchas, de vertebrados (peixes, anfíbios, répteis, aves e mamíferos taxidermizados) e de minerais.

O museu é aberto ao público de terça-feira a sábado, das 8h às 16h30. No ano passado, recebeu aproximadamente 20.000 visitantes, entre público pagante e os 11.000 participantes do programa educativo cultural, de escolas públicas e particulares. “Hoje, como museu universitário, o MCDB cumpre sua missão institucional seguindo o ‘tripé’ de apoio ao Ensino, Pesquisa e Extensão da Universidade Católica Dom Bosco”, finaliza Dirceu.

Museu do Índio

O Museu do Índio, em Manaus, AM, é considerado o maior do país na área de história indígena, com um acervo de cerca de 3.500 peças dos povos do Alto Rio Negro. “Em Manaus há vários museus, mas centralizado em etnias indígenas e com peças reais, este é o maior. Temos objetos das etnias Tukano, Desana, Kubeo, entre outras”, afirma Neto Santos, coordenador de Comunicação. Muitas dessas peças já existiam antes da fundação oficial, em 1952.

Ele explica que as Filhas de Maria Auxiliadora (FMA – Irmãs Salesianas), desde sua chegada à região Norte, são missionárias. “As Salesianas iam para as missões no interior do Estado do Amazonas, e foi no Alto Rio Negro que se concentrou o trabalho. Nessas missões, elas contribuíam com as comunidades e eram presenteadas pelos indígenas”, conta o coordenador. Atualmente, o museu tem uma sala específica para a história das FMA na região. “A gente tem material de enfermagem, tesoura, luvas de procedimentos etc., objetos da época em que elas iniciaram as missões”, completa Neto.

A ideia de fundar um museu veio justamente da necessidade de contar a história dessas missionárias e de valorizar a cultura dos povos indígenas do Alto Rio Negro, região no noroeste da Amazônia brasileira. O museu, que fica no complexo da Inspetoria Santa Teresinha, é aberto ao público, de segunda-feira a sábado, e no último ano desenvolveu vários projetos para ampliar o acesso e a integração. “Iniciamos uma nova fase de comunicação no museu, com o objetivo de transformá-lo em um centro cultural, onde as pessoas possam ir não apenas para ver as peças, mas para assistir a uma palestra, participar de um dia de atividades ou simplesmente sentar embaixo de uma árvore incrível que tem lá para conversar”, diz Neto.

Um dos projetos realizados foi um intercâmbio educacional com 25 jovens da etnia Kambeba, da comunidade Três Unidos. Os indígenas conheceram, pela primeira vez, o acervo. “Foi bem impactante a gente ver aqueles meninos chegando para encontrar um acervo que faz parte da cultura deles, mas ao qual eles não tinham acesso”. Os jovens passaram o dia no Centro Educacional Santa Teresinha e conheceram a rotina do colégio salesiano. Também mostraram aos alunos do CEST o programa de televisão web que desenvolvem na comunidade, como “repórteres da floresta”. Para Neto, esse é o contexto do Museu do Índio hoje: “Abrir as portas para todos os públicos e não perder a essência, que é ser um espaço para que os indígenas do Alto Rio Negro, das várias etnias, possam repercutir sua cultura”.

Museu da Obra Salesiana no Brasil

Os Salesianos de Dom Bosco chegaram a São Paulo em 1885, para abrir a segunda casa salesiana no País: o Liceu Coração de Jesus, escola inicialmente voltada para atender os filhos de ex-escravos e de imigrantes. No Museu da Obra Salesiana no Brasil (MOSB), que funciona em uma área dentro do colégio, é possível perceber como a história dos Filhos de Dom Bosco na capital paulista se confunde com o desenvolvimento da própria cidade.

Marcos Lima, coordenador do MOSB, conta que o museu foi criado em 2008, a pedido do padre Mário Quilici, que cuidava de um rico acervo existente no Liceu e que já fora parcialmente desenvolvido pelo padre José Geraldo de Souza. A parte museológica é composta pelas 1.200 peças que estão na exposição e os cerca de 30 mil itens na reserva técnica; os documentos são em grande parte relacionados aos objetos e tem também o acervo de música, do padre José Geraldo, catalogado em 2014.

“Os objetos em exposição se dividem em sacro-religiosos, indumentárias, peças relacionadas à educação, objetos taxidermizados. Na exposição permanente a gente conta um pouco da história do colégio e dos fundadores, mas tenta sempre expandir, destacando como a chegada dos salesianos está relacionada ao movimento abolicionista e ao início da imigração europeia, como o Liceu influenciou o desenvolvimento e a modernização do bairro, quem eram os alunos, como eram as oficinas e o oratório festivo…”, observa Marcos.

Outra exposição interessante é a das “Faces de Nossa Senhora pelo mundo”, com imagens de várias regiões do Brasil e de países da Ásia, África, Europa e América. “É uma exposição bem peculiar porque Ela é representada de várias maneiras, com vestimentas diferentes e feições de várias etnias, e assim a gente consegue entender um pouco como cada região ou país imagina Nossa Senhora”, considera o coordenador. A exposição tem como base imagens colecionadas pelo padre Evaristo Higa, com peças provenientes do Japão, Índia, Tailândia, Angola, Moçambique, Croácia, Itália, Paraguai, Argentina e Cuba, entre outros.

As visitas ao MOSB precisam ser agendadas com antecedência, mas isso não impediu que o museu tivesse cerca de 2.500 visitantes em 2018. O MOSB também promove palestras e oficinas e participa de eventos, como a 16ª Semana de Museus, realizada em maio, e que teve como tema “Museus hiperconectados: novas abordagens, novos públicos”.

Fonte: http://www.boletimsalesiano.org.br

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