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“Ser mãe é deixar de ser alguém no mundo para ser o mundo de alguém…”, conta a professora Flávia Gabriela.

Para inspirar mulheres, mães e professoras, temos nesse dia tão especial o relato da Profa. Dra. Flávia Gabriela. Ela se formou em 2004, no UNIFATEA, e hoje ministra aulas nos cursos de Jornalismo, Rádio, TV e Internet, Publicidade e Propaganda, ainda, nos cursos de Pós-graduação da nossa instituição. Bora ler esse história inspiradora?

“Lembro-me como se fosse hoje minha primeira experiência da maternidade. Sempre tive um perfil pessoal e profissional de fazer muitas coisas ao mesmo tempo, e cuidar dos meus filhos diante desse ‘muito’ é um desafio e tanto.

Na primeira experiência o desafio era a faculdade e as experiências profissionais. Por muitas vezes, depois das aulas da faculdade, eu me sentava em frente ao computador para criar meus trabalhos. Lembro-me de uma poltrona azul e o Júlio adormecendo no meu colo enquanto eu desbravava o mundo do conhecimento. Eu estava lendo e digitando e ele contava sore seu dia. Quando em um segundo de silêncio, eu olhava e lá estava aquele anjo dormindo. Durante o dia havia o estágio, depois o trabalho. Aos finais de semana de churrasco da turma, lá estava meu menino comigo. Já era o mascote da galera.

Na segunda experiência, Majú viveu comigo o desafio do grande emprego. Em meio a uma pós-graduação e a possibilidade de atuar gerenciando um grande projeto de Assessoria de imprensa e uma equipe, lá estava a lourinha de cabelos cacheados. Os finais de semana de plantão, ela ía para o trabalho comigo, não tinha outro jeito. E vê-la adormecendo deitada no chão em cima de sulfites e lápis de cor da minha sala de trabalho é uma das lembranças mais vivas. A maior parte dos desenhos dela nessa época é de nós duas no meu trabalho. Pudera, a vida dela comigo e com o irmão já adolescente enfrentava a necessidade de me estabilizar enquanto profissional.

Na terceira experiência chega minha Mari. Um turbilhão havia passado pela minha vida e eu, ingênua, achava que seria simples pela minha vivência de já ter sido mãe, viver mais uma experiência desafiadora. Só que Mari chega noinício do doutorado. Ela dividiu espaço com minhas madrugadas de estudo, estrada para a capital, cochilos no ônibus, pés inchados e muito, muitos medo de não conseguir. Quando ela nasceu eu estava no ápice dos congressos. Como chorei apresentando artigo com a blusa toda molhada em leite. Voltava para a casa cheirando a “mamá”, e os gritinhos podiam ser ouvidos do portão. Mas quando o diploma chegou, ah!!! Era a risadinha daquele rosto rosado que foi meu melhor troféu.

Então veio a quarta experiência, sim, a quarta! Tiaguinhochega em meio ao medo da pandemia. Os medos? Não são mais os de não dar conta dos estudos ou do trabalho. A insegurança é de estar em um mundo onde não sabemos mais o que são as sociabilidades. Tiaguinho vai aprender a andar, brincar e construir sua identidade em um mundo diferente. As relações físicas se ressignificação. Não teve visita na maternidade e nem festa na sua chegada. Mas teve amor de sobra pelas telas e pixels das imagens digitais.

O que aprendi de todas as experiências é que não importa o tempo. Os desafios do momento sempre serão diferentes, as inseguranças existirão. Tudo pode estar mudando rápido, mas… quando estamos juntos, os outros papeis: a profissional, a bailarina, a gestora, ficam em segundo plano. Mais importante é sentir que sim, o mundo vai parar, nem que por instantes. Porque ser mão é deixar de ser alguém no mundo, para ser o mundo de alguém.“

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