Durante os próximos dias, nossa Central de Comunicação fará a publicação de espaços, pontos e pessoas que identificam a cidade de Piquete, que recebe o “Dia S” no próximo dia 9 de março
A pauta hoje é a antiga Fábrica Presidente Vargas – hoje IMBEL (Indústria de Materiais Bélicos do Brasil.) Inaugurada em 1905, no recém-criado município de Piquete, a “Fábrica de Pólvora” foi uma iniciativa do Ministro da Guerra, Marechal João Nepomuceno Medeiros Mallet, filho do Marechal Emílio Luís Mallet, patrono da Artilharia do exército.
Construída em um local que atendia critérios topográficos, estratégicos e geopolíticos, situando-se entre os dois maiores centros industriais brasileiros, Rio de Janeiro e São Paulo, anos depois foi substituído pela Região das Fazendas “Estrela do Norte”, “Limeira” e “Sertão”. A fábrica tinha como objetivo produzir Pólvora e outros materiais essenciais para as Forças Armadas.
No ano de 1911, a “Fábrica de Piquete” conquistou o grande prêmio da Exposição de Torino – Itália. Em 1922, a Exposição Internacional do Rio de Janeiro, comemorativa do Centenário da Independência do Brasil, recebendo mais uma vez “O Grande Prêmio”.
Em 17 de julho de 1939, o presidente Getúlio Vargas visitou pessoalmente pela primeira vez a Fábrica de Piquete, para poder acompanhar de perto todas as obras de expansão.
Três anos depois, em 1942, o nome da fábrica foi trocado oficialmente para “Fábrica Presidente Vargas”, mudança que marcou um momento significativo na trajetória da indústria bélica, desempenhando papel crucial na história do país.
Durante décadas, a fábrica foi um centro de produção estratégico, fornecendo insumos para o exército brasileiro, onde seus funcionários trabalhavam para garantir a segurança e soberania do país. A qualidade e confiabilidade dos produtos fabricados eram reconhecidas nacionalmente. A partir de 1977, a “Fábrica Getúlio Vargas” foi incorporada à indústria de Material Bélico (IMBEL), empresa vinculada ao comando do exército.
Sendo um dos grandes feitos do Exército, e marcando presença pioneira no Vale do Paraíba, a Fábrica de Piquete foi promovida pelo IEV e AEDB. Deles, saíram produtos para quartéis, fortalezas, navios e aviões.
Infelizmente um momento trágico marcou não somente a cidade de Piquete, como também o país inteiro. Em 1985, ocorreu a explosão da Fábrica, deixando centenas de mortos e feridos.
Os hospitais lotavam com famílias desesperadas e angustiadas sem ter notícias. Restos eram buscados em matas e caixões enterrados com pedras para fazer peso.
No dia 15 de setembro de 2006, foi inaugurado o “Memorial Usina Rodrigues”, que está aberto até hoje na cidade, cheio de fotos, documentos e um pedaço da história.
De fato, a famosa Fábrica de Piquete, que testemunhou mudanças significativas na indústria e na cidade, contando com histórias que são até hoje compartilhadas por famílias e gerações, permanece como um monumento, sendo um grande elo entre o passado e o presente.
Histórias e Memórias – É muito comum encontrar familiares de pessoas que já trabalharam na “antiga Presidente Vargas”. Isso porque, à época de seu amplo funcionamento, os trabalhadores eram militares reformados, que já haviam servido no Exército Brasileiro.
Um deles é o pai da jornalista e professora Flávia Gabriela. O sr. Argemiro Serafim Rosa, nascido e criado no município de Piquete, dedicou 30 anos de sua vida à fábrica. As lembranças contadas, rememoram um período de orgulho do pai por nascer em Piquete e ter feito da história da Presidente Vargas.
“Ele contava suas memórias com muito orgulho. Ele dedicava toda a nossa educação e condições de criação à fábrica. Em ocasião de comemoração de aniversário do seu antigo trabalho, ao receber um convite, ele se emocionou e disse: ‘eles lembraram de mim’. Isso foi mais ou menos em 1990, e ele se foi em 1993”, lembrou.
“Dia S” Piquete – O evento acontece na praça Duque de Caxias e terá atividades gratuitas para toda a população.