Responsáveis pelo UNIFATEA e pela Valecap comentam importância da parceria entre a academia e o setor privado
Por Denise Claro
Neste sábado, 13, foi realizada a imersão pedagógica dos alunos do Mestrado Profissional em Design, Tecnologia e Inovação do UNIFATEA na Valecap Pneus e Truck Center, em Lorena (SP).
A empresa visitada foi fundada em 1994, emprega cerca de 50 funcionários e oferece serviços de recauchutagem, venda de pneus, reforma, assistência técnica de geometria e freios para caminhões truck, entre outros.
A atividade de imersão teve o objetivo de oferecer um espaço de discussão efetiva na busca de resolução para problemas, observados pelos alunos do mestrado. A partir da visita à empresa, da escuta dos profissionais e do conhecimento das demandas e processos realizados, os mestrandos foram divididos em grupos, e puderam observar, analisar, discutir e apontar sugestões para a melhoria do trabalho.
A vice-reitora do UNIFATEA, Irmã Zenilde Aparecida Fontes, acredita que a imersão é importante na relação de conexão entre a academia e o mercado:
“O Parque Tecnológico tem como objetivo essa relação com o poder privado. Trazer as questões reais da empresa para dentro da academia, para ciência e para estudo. Os alunos passam pelo ‘chão de fábrica’, vivenciam os problemas, desde os mais complexos aos mais simples, e conseguem ter uma percepção sistêmica da organização.”
A religiosa salienta que a troca de conhecimento entre universidade e sociedade é fundamental e que uma das perspectivas do Parque é contribuir com as empresas da região. “Deixar o conhecimento no território em que ele é gerado, esse é o grande objetivo, fazer essa transferência para essas questões e trazer soluções.”
O fundador e presidente da Valecap Pneus, Francisco Guimarães, se diz esperançoso e grato pela parceria, e afirma que para a empresa é muito favorável esta perspectiva. Ele aponta que é interessante e até essencial este trabalho em conjunto, porque muitas vezes quem está na empresa está tão imerso e envolvido no processo, que não percebe o que poderia melhorar.
“O olhar de fora é sempre bem-vindo, e nossa empresa é aberta às novas ideias. É como a teoria da invisibilidade no dia a dia. Você tem uma tomada em casa que está com o espelho quebrado. No primeiro, no segundo dia, você fica incomodado com aquilo. Uma semana depois, você nem presta mais atenção, porque já se acostumou com o errado. Quem vem de fora consegue ter uma percepção que a gente, pela familiaridade, já não tem mais”, aponta.
Irmã Zenilde ressalta que a parceria é benéfica tanto para as empresas como para os alunos:
“As instituições muitas vezes gastam muito dinheiro em auditorias, consultorias, e o conhecimento não fica na organização. Já na relação com uma universidade, com a pesquisa, a empresa gasta bem menos e ainda pode manter esse conhecimento dentro dela mesma. É uma expertise que vai sendo construída a partir do problema, a partir das buscas de soluções e ao mesmo tempo, permanece esse conhecimento com uma equipe, desde o conhecimento tácito, como o conhecimento teórico-prático. O Parque pode contribuir com essa missão e essa função e isso pode inclusive se tornar um novo negócio para os alunos. É uma prospectiva muito ampla, um caminho interessante a ser descoberto, vocações, missões e propostas.”
Leia também
.: UNIFATEA participa do 2º Encontro de Jovens Cientistas no INPE, em Cachoeira Paulista
.: “Dia S” Guaratinguetá contempla imersão pela história arquitetônica da cidade
Análise de problemas

Além de reunir toda a comunidade educativa em um dia de aprendizado e troca de experiências, houve a oportunidade de integração entre as turmas do mestrado, com todos os docentes e discentes envolvidos. Os alunos puderam conhecer as demandas de profissionais, a realidade da empresa, e viver desafios reais capazes de gerar discussão, aplicando metodologias e ferramentas do Design e áreas afins, como o Design Thinking.
O coordenador do mestrado, Prof. Dr. José Ricardo Faria, lembra que a atividade de imersão nas empresas é uma prática no Mestrado do UNIFATEA, que já está na quinta edição:
“A imersão leva a uma conexão com diferentes organizações, de diversos segmentos do empresariado. Desta vez, com a Valecap, a gente trata de problemas da área comercial, de gestão, recursos humanos e da própria produção, que trazem uma riqueza muito grande para os nossos alunos, e possibilidade de pesquisa, de produto. Isso é essencial para um mestrado profissional, que tem essa vocação. O design abre um leque muito grande, porque muitas vezes ele está associado ao produto. Mas ele não é só produto, ele é serviço, é tecnologia, é possibilidade também da área gráfica.”
Diferentes olhares em busca de solução
O coordenador aponta que a visita deste grupo à empresa leva uma visão ampla, pois se trata de um grupo com docentes e discentes de diversas áreas, desde arquitetura, áreas da saúde, computação e comunicação. “Quando a gente leva esse olhar, temos uma riqueza, e acredito que teremos bons frutos desta imersão”, conclui.

Edmar Azevedo é colaborador na Valecap há 27 anos, e hoje atua na área de produção. Para ele, a visita dos alunos foi muito aguardada:
“Apesar da gente estar falando de um processo produtivo, de mecanismo, equipamento, tem a parte que toca tudo isso, que é o ser humano. Então outros olhares são importantes para que a gente possa lidar melhor com os seres humanos, para que ele seja mais produtivo e também isso seja saudável para o colaborador. Eu acho que sempre vai ser muito bem vindo, e acho que muitas coisas boas sairão desta atividade. Estou esperançoso.”
Irmã Zenilde aponta a importância das várias áreas profissionais na busca de soluções:
“Hoje nós não podemos chamar apenas uma ciência para resolver um problema, nós precisamos conectar e ler a realidade, interpretar a realidade, e quando a gente vai para a interpretação da realidade, a gente precisa das várias áreas do conhecimento para fazer a relação para a solução, senão nós não olhamos a questão de uma forma sistêmica, e a gente vai perceber sim que pneu tem a ver, de repente, com química, tem a ver com outras áreas do conhecimento, quando nos colocamos nessa interdependência. Nesta atividade estamos trabalhando habilidades e competências para a resolução de problemas, que serão úteis em qualquer campo profissional”, afirma.
Guimarães vê como positiva a diversidade de áreas profissionais dos alunos do mestrado no UNIFATEA, e acredita que a experiência de cada um pode colaborar com a empresa:
“A realidade nunca é aquela, sempre tem um ponto de vista diferente dependendo do angulo e do conhecimento de quem olha. Isso agrega valores pra gente. Quando imerso numa produção, você quer resolver aquele problema, mas não tem o olhar de fora, ‘sair da caixa’, como se costuma dizer. Cada pessoa que vem aqui de uma área específica, é um tempero que agrega sabor à nossa experiência. Cada ideia diferente agrega valor, é importante. Cada pessoa que contribui conosco da maneira dela, ajuda na construção da nossa empresa.”
Ideias e Sugestões
Ao final do dia, os grupos apresentaram as soluções encontradas para membros do UNIFATEA e da Valecap. Os alunos abordaram nas sugestões melhorias nos eixos de processos, ergonomia, e tecnologias, como na área da comunicação interna e externa, no atendimento, segurança no trabalho, a utilização de aplicativos e ferramentas tecnológicas que podem auxiliar os processos, além de soluções para o marketing e departamento de RH.
O aluno Willian Guimarães, formado em direito e diretor de comunicação institucional, afirmou que a imersão na iniciativa privada proporcionou uma vivência prática que complementou o aprendizado em sala de aula, oferecendo uma perspectiva mais realista de aplicação dos conceitos estudados.
Para a aluna e terapeuta Ana Carolina Satim, a oportunidade foi muito enriquecedora. “Desconhecia os processos deste ramo de atuação e gostei muito de conhecer um pouco a respeito. E o fato de podermos propor melhorias, com esse olhar externo, foi ótimo. Agradeço aos responsáveis pela empresa e à equipe UNIFATEA pela organização.”
A segunda etapa da imersão está marcada para o dia 11 de maio, com uma nova visita à empresa e a conclusão dos trabalhos. O fundador da Valecap aponta como a abertura às novas ideias e sugestões é importante para ele, como gestor:
“O mundo mudou, e a gente não desbrava novos territórios com velhos mapas. Eu sempre estive aberto e estarei, porque é isso que me fez chegar onde eu cheguei. Tem muita gente que ama o seu negócio, mas somente isso não basta. É preciso amar o resultado do nosso negócio. O que ele traz de ganho para a sociedade é o que mais importa, e o lucro é consequência de um serviço bem feito.”