
Ao contrário da matéria anteriormente publicada neste site, em 22 de maio de 2025, o evento que reuniu especialistas e estudantes para refletir sobre a valorização das culturas infantis no cotidiano escolar, realizado no dia 20 de maio de 2025 em comemoração ao Dia do Pedagogo, foi a Roda de Conversa de Saberes Compartilhados “Cultura e políticas para pensar a arte-educação para crianças”, atividade integrante do 2º Simpósio Para Mover Espaços, do projeto Mover Espaços.
O evento aconteceu em parceria com o programa formativo Para Mover Espaços e o UNIFATEA – Centro Universitário Teresa D’Ávila, e foi uma oportunidade voltada aos estudantes dos cursos de Pedagogia e licenciaturas, com foco principal no papel do educador na valorização da arte, da cultura e das manifestações infantis no processo de ensino-aprendizagem.
A atividade contou com a participação de convidadas com ampla experiência em educação e cultura popular. Aline Damásio, educadora, linguista, atriz e, à época, secretária de Cultura de Taubaté, compartilhou com os alunos suas memórias de infância no bairro do Tamandaré, em Guaratinguetá, onde cresceu participando de rodas de jongo com a família. Ela relatou como, na época da escola, algumas professoras desvalorizavam essas manifestações culturais, tratando-as como menores. Sua visão mudou apenas quando um professor de filosofia, já no ensino médio, dançou com ela em uma apresentação escolar, promovendo o respeito entre os colegas. “Se os educadores tivessem esse olhar desde o início, eu não teria vivido situações tão delicadas”, disse Aline.
Também esteve presente Jaqueline Bauman, pedagoga, escritora, artista e fundadora do Pontão de cultura Bola de Meia, que há anos atua com dança, música, teatro e folclore. Jaqueline relatou sua atuação na tríplice fronteira entre Argentina, Brasil e Paraguai, onde trabalhou com crianças que falavam línguas diferentes. Segundo ela, quando a arte entra em cena com brincadeiras, danças e músicas, as barreiras linguísticas desaparecem: “A arte resolve conflitos. Mesmo sem entender o idioma umas das outras, as crianças brincavam juntas, se entendiam pelo movimento e pela emoção”.
Layla Mulinari, terapeuta ocupacional, artista da dança, eutonista e produtora cultural, é a idealizadora do Mover Espaços, programa cultural sediado em Lorena que, desde 2016, desenvolve pesquisas, ações formativas, performativas e eventos voltados às artes do corpo em interlocução com os campos da educação, cultura, saúde e participação social. É também fundadora do Mover Infâncias, frente de pesquisa e atuação dedicada às culturas da infância, aos processos criativos, às artesanias do corpo e às práticas de convivência e aprendizagem por meio da arte.
Durante a roda, Layla compartilhou os percursos que deram origem a essas iniciativas, apresentando os desdobramentos de pesquisas, práticas e experiências desenvolvidas ao longo de sua trajetória profissional. Foram abordadas as relações entre dança, educação somática, saúde, criação artística e mediação cultural, bem como as formas pelas quais essas investigações se materializam nas ações do Mover Espaços, do Mover Infâncias, nas atividades realizadas junto ao Espaço Expressão — escola de dança e casa da Espaço E. Cia de Dança — e em projetos desenvolvidos pelo coletivo em instituições sociais, educacionais e culturais da região.
Também presente, a pedagoga, pesquisadora, doutora em Educação e professora da UNIFATEA, Mariana Aranha de Souza, explicou que essa troca é essencial para a formação dos futuros educadores: “É nesse movimento que os alunos conseguem desmistificar suas experiências escolares. Muitos vêm de histórias em que a arte era desvalorizada. Quando ouvem outros profissionais trazendo novas vivências, eles percebem que ensinar é muito mais do que passar conteúdo: é mergulhar na cultura da criança, respeitar sua origem e aprender com ela”.
O evento foi mediado pela jornalista Rachel Crescenti e contou com a presença de muitos estudantes que participaram ativamente da roda, compartilhando suas próprias histórias escolares e refletindo sobre o quanto a cultura e a arte marcaram ou não, suas experiências como alunos.
A iniciativa de receber atividades do 2º Simpósio Mover Espaços reforça o compromisso do UNIFATEA com uma formação sensível, crítica e conectada com a realidade dos alunos e alunas. O evento foi não apenas uma homenagem ao Dia do Pedagogo, mas um momento de reflexão e inspiração em parceria com o projeto Mover Espaços para todos que acreditam na educação como caminho para a transformação social.
O projeto Para Mover Espaços contou com a idealização e curadoria de Layla Mulinari, produção do projeto e coletivo Mover Espaços e fomento da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (Pnab), do Governo Federal, para o município de Lorena.